Partido dos Trabalhadores critica Bolsonaro por acabar com o Bolsa Família após 18 anos de combate a fome
“A semana se encerra com mais uma
tragédia do desgoverno de Bolsonaro: hoje acontece o último pagamento do Bolsa
Família. São mais de 13,9 milhões de famílias que deixarão de receber esse
auxílio… em um país que acabou de voltar ao mapa da fome! É uma tragédia
anunciada!”, manifestou-se o Partido dos Trabalhadores pelo Twitter.
Segundo o PT, o Bolsa Família é o melhor
programa de transferência de renda já criado em todo o mundo e já tirou 3,4
milhões da pobreza extrema e outros 3,2 milhões da pobreza entre 2003 e 2019.
“Querem usar a economia como desculpa?
Não dá! Para cada R$ 1 investido no Bolsa Família, foram gerados R$ 1,8 no PIB
brasileiro. A economia só gira quando o povo pobre, o povo trabalhador, é
incluído nela”, criticou o partido ao defender o programa.
Para a agremiação, Bolsonaro abandonou o
povo à própria sorte. Largou os mais necessitados na fome, na miséria, em
situação de risco de vida. “Não podemos mais aceitar suas ameaças e desmontes.
Nossa luta por um Brasil melhor começa com #ForaBolsonaro!”
A
presidenta nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR), lamentou o fim do prestigiado
Bolsa Família. Segundo ela, o “governo da destruição” já vinha desidratando o
benefício e agora acabou com o mais importante programa de transferência de
renda copiado pelo mundo afora.
“Além de romper com o ciclo vicioso da
pobreza, o Bolsa Família teve efeitos positivos sobre a saúde e a educação, com
queda de 58% na mortalidade infantil, aumento da frequência escolar e – graças
à melhoria na alimentação – na altura das crianças”, disse a dirigente petista.
Bolsonaro acabou com Bolsa Família e auxílio
emergencial; abandono e incerteza assumem
Se a medida provisória que extinguiu o
Bolsa Família for aprovada pelo Congresso Nacional nos próximos dias, o maior e
melhor programa de combate à pobreza do mundo terá chegado ao fim nesta
sexta-feira (29/10), data do último pagamento previsto para este mês. E, embora
Jair Bolsonaro diga que colocará no lugar outro programa, chamado Auxílio
Brasil, o que ele está na verdade fazendo é lançar a população mais vulnerável
do país ao abandono e à incerteza.
Isso porque não é só o Bolsa Família que
está acabando. Em outubro, chega ao fim também o auxílio emergencial, que hoje
atende 39 milhões de pessoas. Como, segundo o próprio governo, o Auxílio Brasil
deve beneficiar até 17 milhões de pessoas, a conta é muito simples: daqui a
alguns dias, 22 milhões de famílias serão jogadas à própria sorte, durante uma
das mais graves crises da história do país.
“Vinte e dois milhões de famílias
provavelmente vão ser excluídas de programas de transferência de renda. Esse é
o dado que eles estão escondendo e de que ninguém fala. Esse é o principal dado
da conjuntura”, alertou a ex-ministra do Desenvolvimento Social e Combate à
Fome Tereza Campello, em entrevista à TvPT na semana passada.
Segundo Tereza, a exclusão dessas
famílias não poderia ocorrer de forma alguma, uma vez que a situação da
economia só piorou desde que o benefício foi implementado. De acordo com a
ex-ministra, o número de pessoas passando fome hoje no país é muito maior que
os 19 milhões calculados em dezembro de 2020. Afinal, naquele mês, eram 60
milhões os que recebiam o auxílio, e num valor mais alto (R$ 300). No começo de
2021, o benefício foi suspenso para ser retomado apenas em abril, para 39
milhões de pessoas.
“A situação é muito pior que a de
dezembro. Quanto pior, não sabemos, mas, certamente, deve haver mais de 30
milhões de pessoas passando fome e muito mais de 50 milhões que não comem o
suficiente, porque a insegurança alimentar afeta mais de 120 milhões de
brasileiros”, explicou a ex-ministra.
Moretti destaca que o governo definiu o
Auxílio Brasil como um programa temporário, com validade apenas até o fim de
2022, porque a Lei de Responsabilidade Fiscal exige que programas permanentes
exigem a compensação em alguma fonte de receita. Ou seja, a partir de janeiro
de 2023, nada garante que o Auxílio Brasil terá condições de existir como foi
criado. Quer prova maior das intenções eleitoreiras de Bolsonaro?
De acordo com o economista, além de armar
uma bomba para 2023, a definição do Auxílio Brasil como temporário trouxe outra
nefasta consequência. “Como não precisa mais da compensação, o governo está, na
prática, abandonando o projeto de lei que tributa dividendos das pessoas
físicas. Ele abandona a tributação dos super-ricos, que são os grandes
beneficiados por essa isenção e poderiam financiar a transferência de renda
para os mais pobres”, critica Moretti.
Assim, Bolsonaro mais uma vez alivia para
os ricos enquanto finge se preocupar com os mais pobres. O mais triste é que a
solução para atender a população mais necessitada está à mão, ressalta Tereza
Campello. “A melhor solução para a população pobre brasileira é aumentar o
valor do Bolsa Família e aumentar o número de pessoas atendidas pelo programa.
Isso seria simples, seria fácil, seria eficiente e não trocaria o certo por
essa aventura eleitoreira”, disse a ex-ministra à TvPT.

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