Reajuste do Bolsa Família passa por solução para precatórios, diz Rodrigo Pacheco
O
presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, disse hoje (30) que é preciso solucionar
o pagamento dos precatórios em 2022 para abrir espaço no orçamento para o
aumento do valor do Bolsa Família. O senador se reuniu, nesta segunda-feira,
com o ministro da Economia, Paulo Guedes, que também defendeu a solução,
que deve acontecer por via judicial.
Os precatórios
são as dívidas contraídas pelos governos, em todas as esferas, quando são
condenados em instância final pela justiça a pagar pessoas físicas ou
jurídicas. A previsão é que o valor a ser pago passe de R$ 54,7 bilhões, em
2021, para R$ 89,1 bilhões em 2022.
Na semana
passada, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional
de Justiça (CNJ), ministro Luiz Fux, disse que deve propor uma solução que
prevê microparcelamentos, além da publicação de uma resolução pelo CNJ para
regulamentar a postura dos tribunais em relação ao assunto. Amanhã (31),
Pacheco e o presidente da Câmara, Arthur Lira, devem se encontrar com Fux para
alinhar essa decisão.
“Há uma
possibilidade desde sempre ventilada, que agora tem evoluído que, considerando
que houve decisão do STF referente à imposição da obrigatoriedade do pagamento
de R$ 89 bilhões em precatórios em 2022, que se faça uma mediação pelo CNJ,
presidido pelo ministro Luiz Fux. Uma solução que reputamos inteligente,
possível. É uma definição que ainda precisa acontecer”, disso Pacheco, após o
encontro com Guedes na residência oficial do Senado.
“São soluções
que se complementam, a solução dos precatórios que vai desaguar na solução de
um grande programa social para socorrer milhares de pessoas que precisam desse
apoio do Estado”, completou o senador.
PEC
No início do
mês, o governo chegou a enviar uma proposta de emenda à
Constituição (PEC) para estabelecer critérios, limites e parcelamento de
pagamento de precatórios e condicionou o aumento do valor do programa social à
aprovação da PEC. Assim, seria possível criar o Auxílio Brasil,
programa que pretende substituir o Bolsa Família.
Atualmente, o
benefício médio está em torno de R$ 190. Ao entregar o projeto de lei do novo
programa social, o presidente Jair Bolsonaro disse que o valor aumentaria pelo
menos 50%, o que corresponderia a um benefício médio de R$ 283,50.
Diante da
dificuldade em aprovar a proposta no Congresso, para Guedes, a solução judicial
é mais rápida e efetiva. “Havíamos tentado via legislativa, uma PEC, mas aparentemente
há uma solução mais efetiva, mais rápida e, inclusive, mais adequada
juridicamente, foi a conclusão do presidente do Senado e Câmara, apoiando esse
aceno do ministro Fux”, disse Guedes.
De acordo com
o ministro da Economia, as instituições chegarão a um bom termo para abrir
espaço no orçamento para o novo programa social e dar previsibilidade ao
governo. “O problema dos precatórios não é estritamente ligado ao Bolsa
Família, é ligado à exequibilidade e previsibilidade dos orçamentos públicos. O
teto [de gastos] limita os gastos do Executivo. Quando há ordem de outro poder
para gastarmos [com precatórios], nós temos um problema de garantir a
previsibilidade e exequibilidade do orçamento”, declarou.

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