quarta-feira, 9 de agosto de 2017

PERIGO.



Jovem volta à rotina após fraturar coluna durante abdominal invertido: 'Acordei de um pesadelo'.
Marcelle mantém placa de titânio e seis parafusos na coluna  (Foto: Reprodução/Instagram)
"E se um dia seu corpo parasse? O que você faria?". A pergunta é da jovem Marcelle Mendes Mancuso, de 23 anos, aos seus seguidores em uma rede social. Seu corpo parou depois que ela caiu enquanto fazia um "abdominal invertido" e fraturou a coluna em uma academia de São José do Rio Preto (SP).
Marcelle falou ao G1 sobre o episódio que, por pouco, não a deixou tetraplégica ou com sequelas neurológicas. "Jamais farei abdominal invertido novamente. Descobri um risco que achei que não existia", conta.
O acidente aconteceu em janeiro de 2016. Ela ficou internada por 13 dias, mas o caminho até o total restabelecimento levou quase um ano. Durante três meses, precisou dos mesmos cuidados dedicados a um bebê. Marcelle estava no último ano de Direito e ia começar a fazer cursinho para prestar a prova da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Ela diz que no dia do acidente resolveu fazer uma aula experimental na academia que ficava perto do cursinho.
Ela caiu ao fazer o "abdominal invertido", em que o aluno fica pendurado pelos pés de cabeça para baixo, que ela já tinha feito várias outras vezes em outra academia.
"Fiz o treino normalmente, corri na esteira e tal. Aí, como gostava de fazer aquele exercício [abdominal invertido], pedi apoio para o personal que estava na academia, que era um estagiário, e ele foi me ajudar. Ele pegou a faixa para me prender e fiz as primeiras séries com ele sentado no meu pé, mas aí pedi para ele me dar suporte nas costas, que era como estava acostumada a fazer", lembra.
Durante o exercício a faixa que a prendia pelos pés arrebentou e ela caiu de cabeça no chão. Marcelle não sabe dizer o que aconteceu. Ela só se recorda de uma médica, que treinava ao seu lado, colocar a mão em sua perna e perguntar se a sentia.A intervenção da médica no momento do acidente pode ter sido o fator determinante para o sucesso da recuperação. Foi ela quem impediu que alguém mexesse em Marcelle e chamou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
"Se a fratura fosse instável e alguém tivesse mexido nela de modo incorreto, ela poderia ter tido uma lesão medular pelo socorro inadequado", afirma o neurocirurgião Sérgio Tadeu Fernandes. Ele ressalta que, em casos de lesão da coluna vertebral, o tipo de socorro faz todo o sentido e a diferença. "Socorrer um paciente de modo errado pode provocar lesão ou agravar uma já existente."
Segundo o boletim de ocorrência, a estudante fraturou a quinta vértebra e teve uma lesão na medula. Marcelle diz que, de acordo com os médicos que a atenderam, ela quebrou a quinta vértebra, desalinhou a quarta e a sexta, e teve uma compressão medular.
A jovem teve de fazer fixação cirúrgica de uma articulação (artrodese) e enxerto ósseo. Ela agora tem na coluna uma placa de titânio e seis parafusos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

o