No mês de abril, noticiamos que um deputado da Malásia causou uma grande revolta após afirmar que meninas com nove anos estão prantas para o casamento. O deputado foi identificado como Shabudin Yahaya, e, segundo o próprio, também não há nada de errado com uma vítima de se casar com o seu agressor. Na época, os comentários do deputando provocaram indignação nas mídias sociais e alguns políticos da oposição pediram para que ele fosse demitido.
Essa semana, outro parlamentar da Malásia está causando uma grande revolta ao afirmar que mulheres que negam relações sexuais com seus esposos podem ser acusadas de abuso emocional e psicológico.
O deputado, identificado como Che Mohamad Zulkifly Jusoh, de 58 anos, é muçulmano e faz parte da coalizão governista. Durante um debate parlamentar sobre violência doméstica nesta quarta-feira (26), o deputado chegou a defender que os maridos podem sofrer ataques emocionais, ao invés de abusos físicos.
Segundo o legislador, mesmo que os homens sejam mais fortes que as mulheres, há casos de que eles são abusados pelas suas esposas. Ele ainda completou a sentença afirmando que as mulheres que negam relação sexual insultam seus esposos. “Todos estes são tipos de abusos psicológicos e emocionais", pontuou.
Marina Mahathir, uma proeminente ativista dos direitos das mulheres, disse que a visão do legislador era baseada na ignorância. Para ela, é óbvio que as mulheres têm o direito de dizer não ao sexo.
"É ridículo dizer que homens são abusados se as mulheres dizem disse Marina Mahathir.

Mulheres devem permitir outras mulheres na relação

O legislador, do estado de Terengganu, foi ainda além ao dizer que mulheres que negam ao esposo o direito de se casar com outra pessoa cometem um abuso cruel.
É legal que os homens muçulmanos na Malásia tenham outras esposas. Mas eles devem obter permissão de um tribunal islâmico, ou sharia, para se casar com mais de uma esposa. Segundo informações, cerca de 60% da população da Malásia é de muçulmanos.