sexta-feira, 7 de julho de 2017

BRASÍLIA

VERGONHA NACIONAL

Conselho de Ética, formado por senadores,  mantém arquivado pedido de cassação do colega Aécio Neves 
O Conselho de Ética do Senado decidiu em favor do senador Aécio Neves, do PSDB, e manteve arquivado o processo que pedia a cassação do mandato dele.   A representação por quebra de decoro parlamentar foi feita pelos partidos Rede e PSOL, depois da denúncia contra Aécio Neves. Numa gravação, Aécio fala com o empresário Joesley Batista sobre um pedido de R$ 2 milhões feito pela irmã do senador, Andrea Neves. Os procuradores afirmam que esse dinheiro era propina. A defesa do senador disse que o dinheiro seria um empréstimo para pagar a defesa dele na Lava Jato, e não propina.  No dia 12 de abril, câmeras da JBS registraram o primo de Aécio Frederico Pacheco com Ricardo Saud, executivo da JBS, e uma mala com R$ 500 mil em notas de R$ 50.  Há quase duas semanas, o presidente do Conselho de Ética, João Alberto Souza, do PMDB, arquivou a representação contra Aécio, alegando falta de provas. Um grupo de senadores recorreu.  Nesta quinta-feira (6 de julho), Aécio contou com o voto até de quem assinou o recurso. “Não é possível verificar a quebra do decoro parlamentar por meio de suposições, ainda em grau de investigação no Supremo Tribunal Federal”, disse o senador Pedro Chaves (PSC-MS). Quem era contra o arquivamento criticou. “Um processo como este, recheado de provas, investigado pelo Ministério Público, pela Polícia Federal, que nos enviou o relatório. Nós temos o relatório em mãos, mas a gente pode fechar os olhos para tudo isso. Agora, o povo não vai fechar os olhos na nossa direção”, declarou João Capiberibe (PSB-AP).  Pesou na decisão de engavetar o pedido de cassação o temor do chamado efeito cascata, o medo de que depois houvesse uma enxurrada de representações de partidos contra outros parlamentares.  O senador Antônio Carlos Valadares, do PSB-SE, disse, sem citar nomes, que recebeu ameaças: “Eu só quero lamentar, senhor presidente, ter ouvido ameaças veladas - e desabafo - de que, caso essa representação fosse levada à frente, uma enxurrada de novas representações seria apresentada ao conselho, atingindo dezenas de senadores, membros deste conselho ou não membros.”  Quatro senadores votaram contra o arquivamento do pedido de cassação.  Um dos autores da representação, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) disse que a decisão coloca em xeque o próprio conselho.  “Hoje o instituto da ética e do decoro parlamentar presente no regimento do Senado pode ser sepultado. Aliás, a partir de hoje não tem mais sentido ter Conselho de Ética e Decoro Parlamentar”, afirmou.  A assessoria do senador Aécio Neves afirmou que a decisão do Conselho de Ética demonstra a inexistência de qualquer ato que possa ser interpretado como quebra de decoro parlamentar. (Jornal Nacional)

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